terça-feira, 26 de junho de 2007

Balanço

Já estou a mais de metade do meu estágio...
O balanço é extremamente positivo.
A experiência inicial de chegar a um pais novo, que ainda por cima é daqueles que mete medo (por falta de conhecimento e informação...) foi algo de enriquecedor. Os primeiros dias não foram fáceis, com história mirabolantes e um calor impossível que não me deixava dormir. O medo da malária, de andar na rua sozinho, o facto de estar numa casa com muito poucas condições (pelo menos no verão)...
Aos poucos tudo isso foi passando. Mudei de casa, comecei a conhecer mais pessoas, percebi que a malária nao é tão preocupante como eu a pintava, o calor abrandou, comecei a perceber todas as potencialidades que o país tem. Compreendi que as pessoas, na sua maioria, não são como me falavam, pelo contrário! São boas, gostam de conversar, sao muito carinhosas, ficam felizes com muito pouco e fazem-me feliz por isso...
Comecei também a viajar e a conhecer locais fabulosos. Os fins de semana de sonho, comecei a conhecer mais e mais pessoas, a criar laços. Há medida que chegava gente aqui, com as mesmas preocupações que eu tinha, comecei a sentir-me veterano nisto, apesar de ter apenas meia dúzia de semanas.
Depois de pessoas a chegarem há também pessoas que partem. Quando estamos longe de casa e dos amigos tudo é vivido muito mais intensamente, por isso quando alguém parte fica sempre uma sensação de vazio. Mas a verdade é que é só a sensação. Ganhamos sempre em conhecer pessoas e ter este tipo de amizades, curtas, intensas. O facto de ser dificil de se separar de alguém que se conhece há escassos meses só pode ser bom sinal. Esses meses têm de ter tido alguma coisa de especial.
Outra sensação que é estranha mas muito boa, é sentir Maputo como a minha casa. Ainda ontem quando cheguei ao Maputo senti-me a chegar a casa.
Tenho muita sorte em estar aqui, porque isto é lindo, porque estou inserido numa realidade completamente diferente da que conhecia, porque posso aqui posso fazer a diferença, porque a experiência profissional tem sido boa, por todas as pessoas que tenho conhecido e, principalmente pela Ponta do Ouro.

3 comentários:

observador disse...

No meio de lixo, odores, cores escuras a contrastar com os poucos tons albinos...Maputo tornou-se numa cidade que nos vai fazer falta.. sem que nos apercebamos ela vai-se entranhando nos ossos até à medula. E, quando dermos por ela...estaremos no aeroporto a gritar para não partir.
Amigo, estás giro com pouco cabelo :)

Jorge Guerreiro disse...

Isso! Maputo é já um pouco nosso. E quando partirmos levaremos um pouco do nosso Maputo e deixaremos um pouco de nós por aqui...

13inary disse...

"Compreendi que as pessoas, na sua maioria, não são como me falavam, pelo contrário! São boas, gostam de conversar, sao muito carinhosas, ficam felizes com muito pouco e fazem-me feliz por isso..." - Nem mais.